Imigrar para os Estados Unidos

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Luiz




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Historia do Leitor

Luiz Gustavo Figueira

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cop carChegando em Nova Iorque, eu achei que tudo iria dar certo, mas nao deu. O agente da imigracao suspeitou o fato de eu estar voltando ao pais em tao curto espacao de tempo. Fiquei nervoso, e ele percebeu. Fui escoltado para uma sala, chegando nessa sala, haviam mais cinco pessoas, duas garotas Brasileiras, dois caras que pareciam ser indianos e eu. As garotas choravam sem parar. Os outros dois caras falavam sem parar. Nessa sala um oficial da imigracao tentou falar comigo, mas eu nao conseguia de forma alguma entender o que ele me perguntava. Na entendia. Sem estar nervoso eu ja nao entendi ingles, imagina estando nervoso.
Liberty New York Foi ai que umas das garotas, mesmo estando em prantos, se ofereceu para me ajudar com o cara da imigracao. Ele queria saber o que eu pretendia fazer nos Estados Unidos, uma vez que eu havia estado no pais no mes de Janeiro. Nao sabia o que dizer, foi quando eu pedi para a garota, dizer que eu havia ganho a passagem de ida/volta do meu tio, e que por isso estava de volta. Pedi que ela dissesse que eu trabalhava no Brasil, que tinha um emprego bom no Brasil, que iria ficar la por apenas duas semanas e bla bla bla. Sei que minha bagagem foi minuciosamente revistada. Revistaram tudo, tudo mesmo. No geral eu fiquei preso na imigracao no aeroporto durante seis horas. Foram as piores seis horas de minha vida. Os dois caras indianos que estavam la foram deportados, as duas garotas nao sei o que aconteceu, pois quando me liberaram elas ainda ficaram por la, quando fui liberado mais pessoas estavam sendo trazidas para aquela sala.
New YorkAo sair do aeroporto eu mais sabia para onde ir, eu nao tinha destino. Nao sabia nem por onde comecar.
La estava eu minha mala e sem saber o que fazer. Decidi entao pegar um taxi e pedir para que ele me levasse para qualquer lugar em Manhattan. Foi a primeira coisa que me veio a cabeca. Fazer com que ele me entendesse foi uma batalha. Ate que decidi escrever em um pedaco de papel que eu queria que ele me levasse a qualquer lugar de Manhattan. Mas o tonto queria um endereco, queria que eu informasse um endereco, pois ficava repetindo: "Address?" O tempo todo. Foi quando finalmente eu escrevi, 5th Avenue. E la fui eu. Chegando na quinta avenida paguei o taxista e fiquei rodando por horas e horas, sem saber para onde ir. Nao podia nem pensar em ir para um hotel, pois eu tinha comigo apenas US$1,500 e ja sabia que os hoteis em Nova Iorque eram hiper caros. Em minha primeira noite em Nova Iorque eu dormi na rua. Gracas a Deus nao estava frio, se nao com certeza hoje eu estaria psicografando essa historia.

TheatreNo dia seguinte eu comprei um jornal e fui direto para a parte de classificados ver se conseguia algum lugar para ficar. Achei varios anuncios, mas nao entendia nada, pois eles abreviavam muitas palavras e expressoes.
Ate que andando pelas ruas, conheci um Porto Riquenho, que ao me ver andando com uma mala, perguntou em se eu estava indo viajar. Respondi em um pessimo ingles que havia chegado na cidade no dia anterior e que ainda nao tinha onde ficar. Ele entao me disse que em Nova Iorque haviam muitas guest-houses, e que algumas delas nao eram muito caras. Fui eu la em busca de uma guest-house. Apos andar muito, a ponto de nem mais sentir meus pes, achei em Chelsea um lugar o qual eu poderia me acomodar. Era uma guest-house, a qual hospedavam somente homens, bem mais tarde eu vim a saber que nao eram bem homens que se hospedavam la, mas tudo bem, cada um na sua. O dono da casa, muito paciente, me disse que eles cobravam US$60.00 por quartos com banheiro, e US$30.00 por quartos com banheiro coletivo. Por economia optei pelo quarto com banheiro coletivo, e sinceramente foi uma das piores coisas que eu fiz na minha vida. Eu procurava ao maximo evitar de tomar banho ou ir ao banheiro. Primeiro porque quando se usava o banheiro apenas para tomar banho nao podia se fechar a porta, so se fechava a porta quando era para fazer alguma necessidade fisiologica. Muitas vezes meu banho era como banho de gato, ligava o chuveiro passava correndo em baixo e saia. Isso porque, se lembram que eu disse que mais tarde viria a saber que a guest-house nao era bem so para homens, pois eh, era um guest-house para homens gays, e por algumas vezes enquanto eu tomava banho, caras apareciam no banheiro e tentavam pegar em algumas partes as quais nao deveriam ser tocadas por outros caras. Fato esse que me constrangia bastante, nao que eu tivesse algo contra, mas sim pelo fato de que nao era a minha praia.
No terceiro dia eu decidi sair para procurar emprego. Nao sabia nem como comecar, aonde ir, e como fazer. Andava pelas ruas e via um monte de gente maluca, com cada roupa, e eu pensava: "cara como essa gente sai as ruas com essas roupas, esses cabelos malucos!" (Hoje eu ja nem reparo mais nisso, hehehehe).

Mora em Houston USA
periodo 1988-2000
pais EUA

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