Imigrar para os Estados Unidos

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Afinal, como estão os Brazucas?    

Afinal, como estão os Brazucas?

Pagina escrita por Maria Jose

Quantos brasileiros vivem nos USA? Como chegam aqui? Como estão vivendo? Quais são seus objetivos? Essas são perguntas que muitos fazem, mas muitas vezes não ouvimos respostas.
A história de emigração brasileira para os USA não é nova. Nos anos 60 muitos brasileiros chegaram em busca de exílio político, fugindo da ditadura militar. Em 1979, graças a Anistia Brasileira, muitos exilados voltaram. Alguns ficaram. Na década de 80 novo êxodo brasileiro, motivado por problemas econômicos pelo qual o país passava. Nessa época, 9 entre 10 imigrantes brasileiros nos USA eram provenientes de Governador Valadares, cidade de Minas Gerais. Hoje, 45% é formado por paulistas, cariocas e goianos. Muitos com nível superior completo.
No final dos anos 90 a saída de brasileiros se intensificou ainda mais, graças a crise do real e ao aumento do desemprego.
Mas quantos são esses imigrantes? Desde 1991 não existem dados oficiais específicos. Para os americanos, o número é de apenas 55 mil, mas os consulados calculam 600 mil ou mais. Esses são números pesquisados em 1999 pela Fundação Rochefeller e pela Universidade de Columbia, que elaboram juntas o Projeto Rochefeller-Columbia, que tem como objetivo traçar o perfil do "brazuca", ou seja, do imigrante brasileiro nos USA.
Até os anos 80, as portas da casa do Tio Sam estavam abertas. A prosperidade econômica dos USA era grande, e o povo americano não escondia o orgulho de mostrar ao mundo o "American Way Of Life", e abrigavam qualquer um que necessitasse. Mas claro que para os imigrantes eram oferecidos apenas funções de pouco prestígio, trabalhos estes que eram recusados pelos cidadãos. Ainda hoje, são esses os empregos oferecidos.
Atualmente os imigrantes não são tão bem vindos assim. O mercado de trabalho está saturado. As fronteiras são mais controladas, não é possível conseguir um visto de turista com facilidade. E existem brasileiros passando pela fronteira no Arizona, pagando de $500 a $1000 para coiotes.
Alguns desses 600 mil brasileiros, são estudantes intercambistas, têm entre 15 e 20 anos, são de classe média e seus pais custeiam a viagem. Eles ficam de 6 meses a 1 ano, aprendem a língua e regressam para o Brasil. Outros realizam mestrado ou doutorado, e escolheram os USA devido ao maior valor econômico do diploma. Poucos ja vêm com propostas de trabalho, têem um inglês afiado e conseguem uma invejada condição financeira. Acredita-se que 1 entre 400 brasileiros, se encaixa nesta condição.
Mas a grande maioria, 70%, continua sendo de pessoas que buscam aqui condições de vida que não tiveram no Brasil. Vêm com seus próprios recursos educacionais e linguísticos. Quando chegam aqui, muitos deles com a família, se deparam com uma competição grande pelo mercado de trabalho. É imenso o número de árabes, indianos, hispanos, chineses, russos, só para citar alguns, que também saem de seus países de origem , procurando melhores salários. Muitos aceitam trabalhar por uma quantia inferior a U$6,50/hora, o salário mínimo americano.
Além da competição sofremos também a intolerância e a discriminação. Afinal somos estrangeiros. E apesar de o brasileiro ser visto como um povo alegre, que joga futebol, sabe sambar e fala uma língua diferente do espanhol, ainda assim somos ilegais, indocumentados, clandestinos, e como tal, somos classificados como surrupiadores de verbas públicas. E ai voltamos aos anos 80, só nos restam os trabalhos pouco qualificados.
A maioria dos brasileiros têm salários entre $1000 e $2000 ao mês, só 4% ganham mais de $3000, e esses geralmente são os que estão aqui legalmente ou têm negócios próprio. Aí entra a mania brasilieira de fazer a conversão dólar/real. Com esse salário , consegue-se comprar um carro, dividir o aluguel de um apartamento com algum amigo, e , se você tiver sorte, e seu carro não quebrar, se você não tiver dor de dente e você controlar a saudade e não gastar muito com ligações internacionais para o Brasil, você consiguirá guardar alguns dólares no final do mês. Uma pessoa muito otimista irá juntar a tudo isso a segurança pública, a falta de corrupção e ausência de burocracia como sendo realidade o grande sonho americano.
Mas, na verdade, 90% dos brasileiros pensam em fazer esse tipo de trabalho apenas por 1 ou 2 anos no máximo. Na prática, não é isso o que acontece. Existem advogados, engenheiros, dentistas trabalhando como faxineiros, cozinheiros, babás, entregadores de pizza durante anos. Submentendo-se a patrões mal humorados, intrigas de colegas de trabalho e, mesmo sem gostar de pratos exóticos, ter que engolir um bom punhado de sapos.
Estes imigrantes, dificilmente conseguirão morar em um apartamento em Manhattan, com aluguel de $4000 dólares. É pouco provável que tenham uma função mais importante do que manager de um estabelecimento qualquer. E alguns terão até que economizar moedas de 1 centavo se quiserem colocar e manter os filhos em uma Universidade Americana.
Somamos tudo isso a uma crise americana, que demite 20 mil functionários da Disney e da Motorola, e então chegamos a conclusão que tem muito brazuca vendo seu sonho americano se transformar em uma verdadeira sexta-feira treze.
O que fazer para isso mudar, vamos tentar descobrir e ajudar nas próximas edições.

Quem eh Maria Jose?

Os artigos escritos nesta coluna são de inteira responsabilidade de sua
autora. Autora que desde já, pede aos leitores eternas desculpas por sua
pretensão em ser jornalista, pois a mesma não se trata de escritora
profissional.
Maria José é brasileira, nasceu em 1969 na cidade de São Paulo. Estudou
medicina veterinária na Unesp, no Campus de Botucatu, formando-se em 1994.
Na faculdade foi representante discente em orgãos colegiados, participou do
grêmio estudantil durante dois anos, e na faculdade teve sua primeira
experiência como escritora amadora. Com ajuda de amigos de turma, fez
renascer o jornalzinho da faculdade de veterinária, chamado “O Berrante”.
Sempre procurando assuntos polêmicos e de interesse estudantil.
Como veterinária trabalhou na área de clínica de pequenos animais,
voltando-se principalmente para uma medicina preventiva e de saúde pública.
Especializou-se no controle populacional de cães e gatos, trabalhando com a
população carente da região de Interlagos e Santo Amaro, na cidade de São
Paulo. Chegou ao estado da California em novembro de 2000. Realizou estágio
na Holiday Humane Society Veterinary Clinic, onde teve a oportunidade de
acompanhar diversos procedimentos cirúrgicos, aprimorando seus
conhecimentos.
A idéia de escrever para brasileiros surgiu da necessidade de aprender sobre
o que é ser um imigrante, dividir algumas experiências, mas principalmente
de tentar ajudar o próximo.